2ª Mostra de Quadrilhas Juninas de Pernambuco
- gamaempreendimentos
- 22 de jun. de 2021
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No último dia 20 de junho aconteceu, a 2ª Mostra de Quadrilhas de Pernambuco, realizada pela Quadrilha Junina Zabumba, de Camaragibe.
A Mostra marcou o início de uma programação comemorativa dos 20 anos da quadrilha. Uma Quadrilha Junina comemorar vinte anos deve ser celebrado muito, pois é uma luta diária de junho a junho para se manter viva e presente nos arraiais.
O cenário desta vez foi a tela dos celulares e das smart tvs, pela plataforma YouTube, são as redes sociais que nos últimos dois anos vem dando ao movimento de quadrilhas juninas do Brasil a visibilidade que elas tem no período junino, a pandemia da Covid-19 tirou-lhes das ruas, dos arraiais de bairro (descentralizados), do Sítio Trindade, da arena Global, tirou também componentes, diretores, amigos, apreciadores, foram muitas perdas, nesse mais de 500 mil mortos no Brasil foram muitos dos seus e a gente lamenta muito por cada vida perdida e a dor da perda é um pouco de cada um de nós.
Mas a pandemia não tirou das quadrilhas juninas a vontade de fazer, de se reinventarem. Na mostra, foram sete grupos das cidades do Recife: Junina Lumiar, Junina Origem Nordestina e Junina Tradição; Olinda: Junina Rabeka e Raio de Sol e Camaragibe: Junina Mistura de Cor e Junina Zabumba, com espetáculos inéditos, reduzidos entre oito e dez casais, figurinos novos, adereços novos (um inclusive foi incorporado aos figurinos e deve ficar por algum tempo, a máscara), temas novos, projetos novos pensados para este momento difícil e para recomeçarem possivelmente – e queira Deus – em 2022. A mostra foi acompanhada pela Banda Dona Matuta (nas vozes de Serginho Trindade e Anthony Souza), banda que leva o nome da Quadrilha Dona Matuta, outra quadrilha importante que também caminha para uma maioridade em breve, .
Destaques para a estreia digníssima da Junina Rabeka, de Olinda, grupo que nasce em plena pandemia, pelas mãos de Sérgio Ricardo, espetáculo muito bem elaborado e conduzido no arraial pelo marcador João Cabral e para a Junina Tradição, que estreou um novo marcador, Danilo Menezes, conhecido pela condução da Junina Mirim Menezes na Roça. O significado de ver a Junina Tradição colocando a frente de seu grupo um marcador que vem de um grupo infantojuvenil da mesma comunidade, é importantíssimo, é o que a gente fala quando fala de continuidade do movimento, com a importância das quadrilhas juninas infantojuvenis que preparam os jovens para o futuro, foi muito emocionante ver esse crescimento do Danilo e sua condução no espetáculo da Junina Tradição. Parabéns à Junina Tradição e obrigado por este momento.
A Quadrilha Junina Origem Nordestina faz uma homenagem a todas as Quadrilhas, levando bandeiras com as marcas e na fala do marcador Thiago Santos, “é uma forma de mostrar que a nossa luta é uma só, resistir”. É preciso mesmo que esse pensamento viralize, as quadrilhas precisam ter noção da sua força, e usarem esta força para juntas lutarem para conquistarem coisas comuns, o inimigo de uma quadrilha não é a outra quadrilha, todas são vítimas dos que se aproximam no período eleitoral, porque vem a grandeza delas e, quando conseguem se eleger, sequer usam a fala para proposições que as beneficiem.
A Quadrilha Raio de Sol trouxe o Bumba Meu Boi Bumbá, coreografias do Grupo Matulão de Dança, inspirado na brincadeira do boi bumbá com seus personagens. A Junina Mistura de Cor, de Camaragibe trouxe o espetáculo “O coroamento da Rainha Mara e do Rei Catur na terra de Camará”, a Junina Lumiar trouxe “A nossa história é a gente que faz” com coreografias de espetáculos de sucesso do grupo em anos anteriores, com a condução de Fagner Valadares, substituindo, naquele momento Fábio Andrade. Impossível não prestar atenção na empolgação de Betânia Borges, desde o esquenta e durante toda a apresentação, acho que ela descontou a vontade destes dois anos naqueles vinte minutos.
Por fim, mas não por último a anfitriã da noite, Junina Zabumba apresentou seu espetáculo Chita é chique, projeto de Marcone Mastronelli, grupo conduzido pelo experiente Alexandre Franck. Ailson Barbosa no quadrado, mostrando uma verdadeira prova de resistência, porque ele faz o projeto, produz o evento e dança, eu aplaudo com os pés porque com as mãos estou escrevendo.
A realização da Mostra foi possível através da Lei Aldir Blanc, do Governo Federal. A única coisa boa que esta pandemia e este governo trouxeram, talvez se fosse depender do Funcultura, nem aconteceria, pois o último projeto aprovado na linguagem de Quadrilha Junina no Funcultura foi no edital 2016/2017, de lá pra cá, embora o número de projetos apresentados tenha aumentado, nada tem sido aprovado deste movimento que representa mais de 170 grupos em todas as regiões do estado. A Lei Aldir Blanc nos deu um fôlego para resistirmos mais tempo.
Jailson Monteiro, Ailson Barbosa e toda a equipe estão de parabéns pela realização do evento, pelo cuidado com as orientações sanitárias de prevenção a Covid-19, evento que mexe com tudo isso que eu falei acima, de força, de resistência, de motivação para os grupos começarem a se reerguer para 2022, se juntando, se reencontrando e dançando. Na Bíblia é comum a gente encontrar passagens que as pessoas dançam, dançam para comemorar vitórias e parta agradecer a Deus, hoje as quadrilhas estão dançando para vencerem, vencerem as dificuldades pessoais de cada um dos seus componentes e coletivas de seus grupos, para vencerem e sobrevivem a esta pandemia, para vencerem a falta de cuidado dos governos municipal e estadual com o “brinquedo popular”, que não é lembrado, em um momento de maior dificuldade, no Auxílio Emergencial do São João, sendo as Quadrilhas Juninas a cara do são João de Pernambuco.
Foi uma tarde, foram quatro horas, mas a importância e o significado de ser em 2021 o evento mais importante do São João de Pernambuco, pelos motivos que eu escrevi, pelos sentimentos que todos sentimos, pela emoçãoo que tivemos em ver o movimento vivo e gritando: “Nós existimos, nós resistimos”
Obrigado Quadrilha Junina Zabumba. Vida longa à Mostra.
Para quem não viu, o vídeo da Mostra está completo no canal da Junina Zabumba no YouTube, no link abaixo:
Fotos (on line) de Paulinho Maffe


















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